Sapata corrida: o que é e quais as suas vantagens em uma obra?

Quando decidimos projetar uma construção, precisamos analisar todas as etapas de seu planejamento. E um dos detalhes imprescindíveis para quem deseja realizar qualquer obra, é se aprofundar na base do empreendimento. Por isso, vamos te contar tudo sobre a sapata corrida

Considerada um elemento de fundação, essa estrutura é um tipo de fundação composta de concreto armado e desenvolvida para que as cargas dos pilares possam ser transferidas ao terreno através da distribuição de suas bases. Por estar localizado abaixo da superfície, esse elemento merece atenção redobrada para que você garanta segurança e estabilidade após finalizar o trabalho. 

Gostou e quer se aprofundar nesse universo? Veio ao lugar certo! Abaixo, contamos tudo sobre a sapata corrida, a sua função e suas principais vantagens. Acompanhe!

Um panorama sobre a sapata corrida

Em geral, a sapata corrida consiste em uma fundação utilizada para suportar as cargas originárias dos chamados “elementos contínuos“, como é o caso das paredes, muros e demais estruturas alongadas. Caracterizada como uma “fundação rasa”, a sua escavação não exige o uso de máquinas, podendo ser realizada manualmente. 

O processo também pode ser feito com concreto armado ou simples, assim como canaletas e solocimento. Para tanto, a sapata corrida precisa ser construída sobre uma superfície de concreto magro e as suas dimensões dependerão exclusivamente do tamanho da obra. 

Com bielas de compressão um tanto íngremes, é normal que as tensões de aderência presentes na armadura principal acabem se tornando evidentes. 

Fato este, que pode resultar em uma abertura do concreto de cobrimento, gerando fendas. Assim, para evitar esse tipo de problema, é necessário utilizar diâmetros menores para as barras, assim como, espaçamentos pequenos entre cada uma delas. 

Normalmente, consideramos a sua execução simples, podendo ser realizada facilmente e sem muito esforço, conforme a ambição do projeto em questão. 

O papel da sapata corrida na construção

Estruturas e dimensionamentos das sapatas corridas variam de obra para obra. Imagem: Pinterest.

São várias as razões para que um profissional invista no uso das sapatas corridas em uma construção. 

A primeira delas é que essas estruturas proporcionam um resultado mais eficiente e satisfatório, uma vez que os materiais são construídos diretamente no solo, na parte interna de uma escavação. 

Fora isso, em se tratando de fundações mais rasas, as sapatas corridas são as versões que mais suportam peso e oferecem alta proteção aos moradores. 

Lembre-se de que essa modalidade de sapata é usada, em maioria das vezes, em obras de pequeno porte. Como exemplo, destacamos os prédios de baixa altura, os muros de divisa, os galpões, as piscinas, as casas e os chalés de madeira. Bem interessante!

Quais as vantagens da sapata corrida?

Quais as vantagens da sapata corrida? Existem diversos pontos positivos ao investir no uso da sapata corrida em um projeto. Veja alguns deles a seguir:

  • excelente custo-benefício; 
  • execução simples e ágil; 
  • versatilidade; 
  • possibilidade de construir sem ferramentas ou peças especiais no canteiro de obras; 
  • a sapata corrida pode ser realizada com baixo uso de concreto e pouca escavação.

Por que a sapata corrida é melhor que a simples?

Como vimos, a sapata corrida possui um formato contínuo. Isso significa que ela consegue percorrer toda a extensão da parede. O lado bom, é que essa opção pode ser fabricada a partir de alvenaria e não necessita de pilares ou vigas para suportar o peso do telhado e da parede. 

Entretanto, é sempre válido destacar que a alvenaria deve ser feita com tijolo maciço, além de forro de gesso, amarração entre as paredes em “T” ou “L” e lambril, especialmente, quando existem vãos. 

O único ponto negativo, é que a sapata corrida pode ser mais cara do que a sapata simples, uma vez que necessita de vigas, baldrames e colunas para garantir uma boa distribuição de peso das estruturas, como é o caso do telhado, das paredes e da laje. 

Ainda assim, ela é a fundação responsável por oferecer excelente resistência em sobrados e construções que possuem mais do que um pavimento. Logo, o investimento vale a pena!

Qual a diferença entre a sapata corrida e as vigas baldrames?

Sapata corrida (esquerda) em comparação com a viga baldrame (direita). Imagem: Chalé de Madeira.

Hoje em dia, o uso das vigas baldrames é o mais comum nas construções. Em resumo, trata-se de uma estrutura que pode ser construída em concreto simples, alvenaria ou armado, sendo firmada diretamente no chão e dentro de uma vala pequena. 

Tal opção também é a mais aplicada em situações de cargas leves, sendo elas as residências erguidas sobre o chão firme. Ao contar com essa peça bem projetada, é possível evitar uma série de problemas no futuro. Trincas nas paredes e a umidade estão no topo da lista. 

Em contraponto, está a sapata — uma solução altamente recomendada em situações de baixa resistência do solo ou devido ao peso do edifício

Essa alternativa consiste em um bloco de concreto armado, desenvolvido diretamente no chão e altamente recomendado para casos em que o peso da obra é muito elevado, ou também, quando o terreno for instável. 

E mais: nessas circunstâncias, o profissional deve investir na sapata sem pensar duas vezes, podendo escolher entre a opção simples ou corrida.

Como executar uma sapata corrida?

Para realizar a sapata corrida em um projeto, você precisará ter profundo conhecimento, sabendo quais são os materiais necessários e como usá-los da forma adequada. Vamos lá?

1ª etapa

Etapa de escavação para a sapata corrida pode ser feita com máquinas ou manualmente. Imagem: 360 Construction.
  1. Inicie a escavação do solo. A largura do solo não deve ter menos de 20 centímetros e, tampouco, ser maior de um metro; 
  2. Em caso de terrenos inclinados, corte a vala em degraus com 10% de inclinação; 
  3. Feito isso, amasse bem o fundo da escavação para garantir uma superfície uniforme e compacta; 
  4. Aplique uma boa camada de concreto magro. O material deve ser depositado tanto no fundo do terreno, quanto nas laterais; 
  5. Em paralelo, a armadura é montada. 
  6. Nessa etapa, os estribos devem ser posicionados, sendo amarrados com arame recozido e em barras horizontais, no espaço projetado pelo profissional responsável; 
  7. As fôrmas da sapata corrida também devem ser devidamente preparadas, utilizando sarrafos, tábuas e desmoldante.

2ª etapa

Caixaria para o enchimento da sapata corrida. Imagem: DecorexPro.
  1. Assim que colocar a armadura na vala, é possível dar início ao processo de concretagem; 
  2. Aqui, o concreto precisa ser bem adensado com barra de aço, logo após o lançamento de cada uma das latas; 
  3. Se quiser remover as bolhas de ar, invista no uso de um vibrador e vá alisando a superfície com uma colher exclusiva de pedreiro; 
  4. O processo de cura úmida pode durar até três dias; 
  5. Já como uma forma de manter a umidade, é indicado molhar o local com um pouco de água, em média, duas vezes por dia, mas sem excessos; 
  6. Caso o clima esteja muito seco e quente, será preciso realizar esse processo com maior intensidade.

3ª etapa

Alicerce em sapata corrida: bem mais larga que a viga baldrame. Imagem: Pinterest.
  1. 24 horas após a concretagem ser feita, você estará liberado para começar a executar a alvenaria de embasamento; 
  2. Nessa fase, será preciso assentar sobre a sapata corrida os blocos de concreto, usando a argamassa de assentamento; 
  3. Para checar os cantos, utilize também uma mangueira (de preferência, transparente) ou um nível; 
  4. Ao passar mais três dias, as fôrmas podem ser retiradas, sendo possível executar uma cinta de amarração na última fiada da alvenaria; 
  5. Por último, não se esqueça de impermeabilizar todo o baldrame. 

E então, após essa leitura completa você conseguiu entender melhor sobre a sapata corrida, a sua aplicação e diferenciais para uma obra? Se quiser saber mais sobre outros tipos de fundação, confira também nossos posts sobre radier e sapata isolada.

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