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Tiny House: o que é e como isso vai transformar a sua forma de viver

Embora não haja uma definição oficial para uma Tiny House, esse tipo de habitação geralmente é considerada uma casa pequena e minimalista, com menos de 50 metros quadrados. Embora possam ser construídas sobre fundações fixas como as casas tradicionais, a maioria das Tiny Houses são construídas sobre reboques. Esse estilo de Tiny House é conhecido como rebocável ou simplesmente móvel (saiba mais sobre reboque e semi-reboque).

Existem várias vantagens em construir uma Tiny House em um trailer. As duas mais favoráveis ​​são a mobilidade e de certa forma contornar as regras de construção civil locais que dificultam (e às vezes até impossibilitam) a construção de Tiny Houses.

Esse tipo de construção, além de trazer vantagens financeiras por baratear o custo de construção e também o custo de vida, também está atrelado a uma mudança radical de estilo de vida. Daí vem tamanho interesse no movimento Tiny House (ou Tiny Home, Tiny Living, etc.).

Neste artigo, vamos explorar a fundo as Tiny Houses e o movimento que originou e dá sopro de vida a essas casinhas pequenas, encantadoras e principalmente funcionais. Vamos começar?

Tiny House: o que é?

foto de Tiny House vermelha com interior caramelo

Como já adiantamos acima, não existe uma definição atualmente em consenso sobre o que não é ou o que é uma Tiny House. Isso porque os códigos de construção civil (não somente no Brasil) ainda estão de certa maneira defasados e precisam ser atualizados para incorporar novas formas de construção como as Tiny Houses.

De qualquer maneira, costuma-se apontar como uma Tiny House qualquer construção habitável com menos de 50 m². Essas construções podem ser realizadas em alicerces fixos como em casas comuns, ou sobre reboques que possibilitem movimentar a Tiny House por estradas.

É importante dizer que as Tiny Houses não têm um estilo definido e sua arquitetura e estética podem variar radicalmente (o que é bom). Existem Tiny Houses construídas como chalés de madeira, casas de madeira e até mesmo construções que extrapolam a criatividade como os domos geodésicos.

O importante é que a Tiny House precisa ocupar uma área pequena, utilizar soluções inteligentes para gestão do espaço e dos resíduos e ser eficiente e barata para construir. Esses atributos costumam enquadrar bem o que é (ou o que pelo menos se espera que seja) uma Tiny House.

Tiny Houses sobre rodas

foto de uma tiny house de madeira sobre rodas

Uma vez que uma Tiny House construída sobre em um trailer não tem uma fundação permanente, normalmente não é regida pelos códigos de construção civil. Muitos municípios impõem um tamanho mínimo de casa (metragem quadrada) e muitas outras restrições baseadas em casas comuns, o que torna a construção de uma Tiny House quase impossível em alguns locais.

Isso traz algumas vantagens em relação ao Código Civil, mas é mais vantajoso principalmente em se tratando de mobilidade. Poder transportar a sua própria casa é algo muito prático e traz vantagens óbvias para quem busca uma vida pouco estacionária, especialmente em se pensando que uma Tiny House sobre rodas, quando está sendo transportada, é uma carga e não um motorhome por exemplo, o que facilita ainda mais na hora de construir ou comparar os dois modos de vida.

No entanto, existem algumas desvantagens em construir uma casa sobre um trailer ou reboque. O principal é estar confinado a dimensões estritas e respeitar alguns códigos de segurança para a estrada. Isso pode impactar não somente decisões estruturais na construção mas também estéticas.

Outra desvantagem é que esse tipo de construção está longe de ser coberta por linhas de financiamento aqui no Brasil, justamente por não estar totalmente enquadrada em opções de crédito imobiliário e nem de crédito automotivo. Então, partindo para esta opção inevitavelmente você terá que ter uma boa reserva para investir ou partir para o DIY.

Tiny Houses sobre alicerce fixo

foto de Tiny House de madeira com telhado de telhas de barro

Outro tipo de Tiny House comum é aquela com alicerce fixo, construída utilizando técnicas de construção mais tradicionais porém com uma abordagem minimalista, diminuindo não só o tamanho da casa mas também o impacto e os resíduos que ela eventualmente venha a gerar.

Aqui, se aplicam as mesmas “regras” que comentamos acima, porém essas Tiny Houses passam a ser regidas pelo código de construção civil brasileiro e deve seguir todas as diretrizes exigidas pelo município e estado onde ela será construída.

Por isso, uma opção cada vez mais popular para a construção de Tiny Houses tem sido as construções modulares. Esses tipos de construções são geralmente pré-fabricadas off-site e entregues prontas ou para serem montadas no local desejado.

Enquadram-se neste sistema as casas container, as casas pré-fabricadas e chalés pré-fabricados, domos geodésicos e bio-construções diversas que se aproveitam das matérias primas do local onde a Tiny House será construída para promover uma obra com menor impacto (e tamanho).

Como surgiu o Movimento Tiny House?

O Movimento Tiny House é um movimento arquitetônico e social que incentiva uma vida mais simples em um espaço menor. Pessoas de todas as esferas e estágio da vida perceberam que uma casa grande e, mais especificamente, o alto custo de vida que a acompanha, é desnecessária e prejudicial à sua felicidade. Essas pessoas optaram por morar em pequenas casas para reduzir a carga financeira e emocional de possuir muitas coisas.

Uma grande porcentagem das pessoas envolvidas no movimento das Tiny Houses são adeptos do DIY ou “faça você mesmo”. Ou seja, estão interessadas em construir suas próprias casas. É incrivelmente fortalecedor e gratificante construir sua própria casa do zero

Com isso dito, conforme o movimento se torna mais popular, mais empresas estão tentando capitalizar sobre o aumento da demanda, oferecendo casas pré-fabricadas e personalizadas para aqueles que se interessam pelas Tiny Houses, mas não se sentem à vontade construindo com as próprias mãos.

Os altos custos da vida “normal”

mulher desesperada com os custos de vida tradicionais em comparação aos custos de uma Tiny House

Para quem ainda não experimentou viver em uma Tiny House, pode parecer assustador. Por que alguém escolheria viver em um espaço pequeno? Afinal, o que somos ensinados desde pequenos é que “quanto maior, melhor”, certo?

Acontece que há muitos méritos no Movimento Tiny House e filosofia de vida. Claro, as pessoas podem aderir ao movimento por uma série de razões, mas as mais populares incluem preocupações ambientais, financeiras e o desejo de poder desfrutar de mais tempo e liberdade.

O Tiny Living oferece enormes vantagens financeiras e a capacidade de viver um estilo de vida repleto de aventura. Para a maioria das pessoas, cerca de 1/3 a 1/2 de sua renda é dedicada a bancar um teto sobre suas cabeças! Isso significa que muitas pessoas vão levar um bom tempo trabalhando muito somente para tentar custear suas casas.

Comprar uma casa muitas vezes se traduz em pelo menos 15 a 30 anos de trabalho ao longo da vida para pagá-la. Por causa do alto custo de possuir uma casa de “tamanho normal”, bem como das despesas associadas (e cultura de “compre agora, pague depois”). Isso faz com que cerca de 76% das pessoas viva de salário em salário, sem nenhuma reserva financeira (de acordo com pesquisa da CNN). 

Trabalhamos muito para ter casas maiores do que precisamos. Continuamos a trabalhar para que possamos enchê-las com mais coisas ainda. Na maioria das vezes são itens que podemos não precisar usar nunca, mas comprar mesmo assim. Muitos de nós estão sobrecarregados com suas agendas e obrigações lotadas, cansados ​​de correr na “corrida dos ratos”.

Então, qual é a alternativa para esse alto custo de vida (tanto financeiro como emocional)? Uma solução é viver com menos e em um lugar menor, e é essa percepção que traz muitas pessoas para o Movimento das Tiny Houses. Embora as Tiny Houses não sejam para todos, seus custos são muito mais baixos do que uma construção tradicional (que às vezes nem é muito maior).

Enquanto muita gente se vê obrigado a pagar aluguéis ou financiamentos altos pelo resto da vida, muitos adeptos das Tiny Houses conseguem ver seu investimento para construir suas casas ser retornado ou finalizado em 2 ou 3 anos. No sistema comum de habitação, duraria 10 vezes mais!

Além disso, o custo de comprar uma casa de tamanho médio e parcelar em 30 anos, por exemplo, pode ser muito mais alto do que você pensa. O custo inicial de uma casa de R$250.000,00 inclui o preço de compra, é claro, mas também inclui os juros, impostos, seguro, manutenção, reparos e melhorias.

Só de juros, é provável que você irá pagar o mesmo valor da casa, o que levaria a sua casa mediana a um custo de R$500.000,00, sem contar as manutenções e melhorias que você obrigatoriamente tem que fazer com o passar dos anos. Em muitos casos, o valor pode ser ainda maior, como mostra esta matéria do Valor.

Tiny Houses no Brasil

Como é de se imaginar, o Movimento Tiny House vem ganhando adeptos em todo o mundo e aqui no Brasil não poderia ser diferente. O gráfico acima mostra o interesse nas Tiny Houses baseado no volume de pesquisas no Google no passar dos anos.

Atualmente, o interesse tem aumentado cada vez mais não somente pelos benefícios econômicos e ambientais das Tiny Houses, mas também pelo enorme apelo a esse estilo de vida (e outros estilos de vida “alternativos” nas redes sociais.

Grupos no Facebook com o Movimento Tiny House Brasil propõem discussões e atualizam os interessados sobre o movimento no país. Outras empresas como a Tiny House Brasil se especializaram no projeto e construção dessas casas no mercado nacional.

O que está ligado às Tiny Houses e ao Tiny Living?

Como você deve ter percebido, viver em uma Tiny House vai muito além de escolher apenas um estilo arquitetônico distinto. O Movimento Tiny House está ligado a diversas filosofias e estilos de vida que buscam impactar de maneira positiva a vida das pessoas na sociedade.

Abaixo, exploramos um pouco mais outros movimentos ligados ao Tiny Living e que, de certa forma, ajudam a torná-lo viável e sustentável. Afinal de contas, o objetivo das Tiny Houses não é se tornar mais uma commodity que possa ser fabricada e vendida aos montes sem pensar no futuro.

Minimalismo

foto de Tiny House por dentro mostrando o minimalismo na decoração

Não existe razão para se mudar para uma Tiny House se simplificar sua vida não for seu objetivo. O minimalismo talvez seja o principal motor do Movimento Tiny House e ele vem se popularizando mundo afora (você provavelmente deve ter conhecido a versão “blockbuster” do minimalismo com o sucesso da Marie Kondo no Netflix).

Viver pequeno e com pouco resulta em possuir e consumir menos. Com isso, a necessidade de comprar coisas novas, atualizar seus eletrônicos e aquele sentimento de querer sempre algo novo começa a desaparecer. Esse processo é tão comum que deixamos de percebê-lo e passamos a considerá-lo parte da vida. 

Porém, possuir e querer mais coisas é um peso invisível em nossos ombros. Só depois de removido é que reconhecemos que ele existia. Quase se conversa com pessoas que se mudaram para Tiny Houses, é discurso comum o fato de que algo que nem sabiam que existia estava tendo um impacto tão grande e tão negativo sobre elas.

Para conhecer melhor o Minimalismo, recomendamos os livros abaixo e também o documentário Minimalismo, disponível no Netflix:

Off-grid e Autosuficiência

foto de Tiny House completamente off-grid com painéis solares sobre o teto

Outras ideologias ligadas às Tiny Houses são a autossuficiência e a vida off-grid. Ser autossuficiente significar ser capaz e responsável por produzir tudo aqui que você precisa para viver, seja comida, energia elétrica e até dinheiro.

Ser off-grid, por consequência, é o que acaba sendo possibilitado pela autossuficiência: viver “fora da rede”, sem precisar que o Estado ou a iniciativa privada forneça produtos e serviços básicos para a sua residência.

É comum encontrar aqui adeptos da energia solar e outras fontes renováveis, praticantes permacultura e muitos outros. Para saber mais sobre autossuficiência e off-grid recomendamos os cursos abaixo:

Do It Yourself (DIY)

processo de construção de uma Tiny House DIY

O “faça você mesmo” já está se tornando um velho conhecido dos Brasileiros. Quem é adepto do DIY sabe que além de reduzir drasticamente os custos com mão de obra de qualquer coisa que você possa construir, esse “hobby” proporciona aprender e desenvolver novas habilidades.

Como se sabe, grande parte do custo para adquirir uma casa no Brasil vem da mão de obra. Se a opção for financiamento então, o consumidor sempre cairá nas mãos de construtoras e aí o markup sobre a mão de obra aumenta ainda mais.

Por isso, muitas pessoas interessadas em Tiny Houses também têm paixão por aprender a construir. O negócio é embarcar no desafio e se aproveitar de todos os recursos que a internet tem a oferecer como plantas completas e tutoriais no YouTube.

Nomadismo (van life, motorhomes, etc.)

foto de um interior de uma van adaptada como Tiny House

Outro movimento bastante ligado às Tiny Houses e ao Tiny Living é o nomadismo. Cada vez mais pessoas buscam um estilo de vida cheio de aventuras e que possibilita conhecer novos lugares todos os dias.

Com o home office, muitas pessoas têm a possibilidade de trabalhar de qualquer lugar via internet e isso as possibilita ter uma vida mais livre e menos dependente de um endereço como conhecemos.

Por isso, para algumas dessas pessoas uma Tiny House sobre rodas é a melhor opção de vida para quem busca o conforto de uma casa e a mobilidade de uma van ou motorhome.

Tiny House: vale a pena?

Essa vai ser sempre uma pergunta muito pessoal e que cada um deverá responder por si. Porém, é óbvio que uma Tiny House não é para todo mundo e um processo de adaptação precisa ser feito mesmo para quem é apaixonado e pretende embarcar no movimento (veja 6 documentários para se conhecer melhor o Movimento Tiny House).

Por outro lado, as Tiny Houses trazem tamanho benefício social e impactam positivamente economias familiares e os hábitos de consumo. Por isso, também é importante se perguntar se viver com menos e melhor é mesmo só uma opção de cada um ou algo que deveríamos propor como sociedade?

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