Situada sobre antigos muros de pedra em Nova Lima, Minas Gerais, a Casa Xingu parece menos um edifício e mais um evento geológico. Projetada pelo estúdio Tetro Arquitetura, de Belo Horizonte – liderado pelos principais arquitetos Carlos Maia, Débora Mendes e Igor Macedo – a residência ocupa um terreno de 8 mil metros quadrados que chega com sua própria história, sua própria paisagem e seu próprio conjunto de demandas.
O site está dividido em camadas de uma forma que a maioria dos arquitetos apenas sonha. Paredes de pedra que sobraram de uma estrutura anterior esculpem o terreno, florestas nativas se espalham pelas bordas, planaltos gramados se abrem para vistas deslumbrantes das montanhas e, em algum lugar abaixo de tudo, uma caverna espera – reservada como a futura vinícola e adega de queijos da casa. Tetro não tentou simplificar nada disso. O formato da casa é uma resposta direta a cada peculiaridade que o terreno trouxe para a equipe.
Designer: Tetro Arquitetura
O ponto de partida do estúdio foi simples: encontrar a melhor vista e levar os moradores em direção à natureza em todas as oportunidades. Essa intenção moldou tudo. O volume principal da casa eleva-se seis metros acima do nível natural do solo, flutuando sobre as antigas paredes de pedra e proporcionando às duas suites principais um panorama ininterrupto das montanhas circundantes. O que torna isso possível são os grossos pilares de concreto de formato irregular que se erguem de baixo – formas estruturais que exercem dupla função ao abrigar banheiros, escada, elevador e áreas de serviço dentro de sua massa.
O programa está dividido em três setores distintos, denominados internamente como “dicas”. O volume principal elevado abriga as suítes primárias; as outras duas pontas estendem-se para fora e assentam no planalto criado pelas antigas paredes de pedra, contendo o alojamento dos hóspedes. O resultado é uma casa que não se assenta no terreno, mas sim se estende sobre ele – braços estendidos, cada um apontado para um fragmento diferente do terreno.
A relação entre estrutura e natureza torna-se ainda mais deliberada no spa. Em vez de anexá-lo à casa principal, Tetro projetou-o como um volume totalmente separado – um volume que se enrosca entre as árvores existentes, em vez de deslocá-las. No interior, sauna, vestiários, área de descanso e academia compõem o programa, tudo abrigado em uma forma que responde à floresta e não se impõe a ela.
Com 1.500 metros quadrados, a Casa Xingu carrega uma complexidade que pode facilmente virar barulho. Tetro mantém tudo quieto – deixando o concreto bruto, a paisagem nativa e um claro senso de propósito falarem.







